Sexta-feira, 28 de Outubro de 2011

A matter of principle

Tenho um péssimo hábito... Amar apaixonadamente coisas que (ainda) não posso ter. Vendo bem, não é assim tão mau - sonhar é óptimo e ser ambicioso nunca matou ninguém (já?). Há, sim, que ter "os pés assentes na terra" e perceber até que ponto a moda pode ser exclusiva e, neste sentido, gananciosa. Corro o risco de pisar a linha aqui, mas a verdade é que há aspectos inconcebíveis nesta indústria, por razões óbvias e bem conhecidas do público - "uma mala podia salvar uma família que passe fome". Sim, é decepcionante, frustrante e agressivo, mas existe. Há que ver vários aspectos, no entanto. Quando estou confusa costumo fazer listas (outro hábito - mas bom. Tem-me ajudado, pelo menos).

Aspectos "positivos" (nunca acreditei naquelas tretas (desculpem a expressão) das más notícias primeiro: se me derem as boas antes, já fico bem disposta e mais receptiva a que EXISTAM más notícias - para balançar a coisa e, se me derem as más antes, fico maldisposta e já nem ligo às boas... Sou muito temperamental).

- Se deixarem de comprar um par de sapatos vão mandar o dinheiro do mesmo para a tal família? Ou para ajudar alguém com menos posses?

- Se trabalharam para ter esse par de sapatos, não é incrivelmente frustrante estar a dar o dinheiro a alguém que possa não se ter esforçado metade do que nós para ter uma vida minimamente boa - se for o caso? Porque pode ser o caso...

- O que me acontece a mim é que quando compro alguma coisa nova fico tão feliz que partilho muito mais. Para além de andar mais bem disposta e isso fazer-se transparecer para os que têm de me aturar diariamente, fico mais solidária porque não me iria sentir bem a estar a gastar dinheiro comigo e não o fazer com quem precise de mim

 

Aspectos "negativos"

- Não é um par de sapatos que muda a minha vida, mas o dinheiro desse mesmo par pode mudar a vida de muita gente

- É ridículo dar milhares de euros (sim, podem ser milhares) por uma coisa que vai andar entre o roupeiro e a rua, pode estragar-se e não é indispensável (há peças que servem a mesma função e não custam metade. Ainda por cima, se pensarmos em gastar esse dinheiro num casaco, por exemplo, quais são as probabilidades de não termos, pelo menos, mais um casaco do género no armário?

 

Podia continuar por aqui mas acho mais interessante guiar-vos à conclusão a que cheguei. Por muito superficial que possa parecer a muitos, a indústria da moda gera milhões, não entra em crise e é empregadora de milhares e milhares de pessoas, nomeadamente em países em vias de desenvolvimento e que, portanto, precisam MESMO desse emprego (mesmo que mal pago, mas isto é outra questão). A maneira de vencer a crise é comprando. Quem tem poder de compra tem de comprar, para fazer os mercados funcionarem (lamento, mas o comunismo não funciona, por mais bonito que possa parecer. É NECESSÁRIO haver pessoas com mais poder de compra que outras, senão há stocks que não escoam. Se todos forem multimilionários, quem vai querer uma televisão em vez de um plasma? E quem vai querer trabalhar nas fábricas?). 

 

Eu já decidi quem vou ser. Sim, quero um dia ter a minha Louis Vuitton e a minha 2.55 da Chanel. Sim, vou-me esforçar como tudo para as conseguir com o meu trabalho. Não, não vou andar a fazer choradinhos para as obter. Mas uma coisa é certa. A partir do momento em que tiver esse poder de compra, em número igual vou ajudar quem puder. Se tenho dinheiro para uma Chanel, tenho dinheiro para ajudar o trabalhador que a preparou para mim.

 

E assim, caros leitores, deixo-vos com o meu casaco de sonho que, obviamente, não conseguirei ter num futuro próximo. Mas gosto de sonhar... E sou ambiciosa :)

 

 

 

I have a terrible habit... To love unwisely things that I'm not (yet) to afford. If you see it from another perspective, it isn't that bad - dreaming is great an to be ambicious has never killed anyone (has it?). You do have to "get your feet on the ground" and realise that fashion can be so exclusive that becomes greedy. 

I may be crossing the line here but the truth is there are inconceivable aspects in this industry, because of well-known reasons - "An Hermés bag could save a starving familly". Yes, it is disappointing, frustrating and agressive, but it exists. You have to bear in mind many aspects, however. Whenever I'm confused I make lists (another habit - a good one though. It's been helpful, at least).

"Positive" aspects  (I've never believed those silly things about telling the bad news first: If you give me the good ones first, I'm already in a good mod and more willing to understand that bad news EXIST. If you give me the bad ones first, I get in a really bad mood and won't care about the good ones... I'm very temperamental).

- If you don't buy a pair of shoes will you send the money you would have spend to that same starving family? Or to help someone in need?

- If you worked hard to have that pair of shoes isn't it incredible frustrating to give the money to someone that may not have put half the efford you made to have a good life?

- What happens to me is that when I buy something new I get so happy that I share a lot more. I'm smiling all day, which is good for those who have to deal with me daily, I get more solidary - I wouldn't feel right to be spending money on me and not with someone that needs me.

 

"Negative" aspects

- It is not a pair of shoes that is going to change my life, but that money could really change lifes

- It is ridiculous to spend thousands of euros (yes, could be thousands) for something that is going between the closet and the street, that can be ruined and is not indispensable (there are pieces that suit the same purpose and don't cost half. On tops, if you're really thinking about spending that kind of amout in a jacket, for exemple, what are the odds of not having, at least, another jacket like that in the closet?

 

I could go on and on but i think it is more interesting to get you to the conclusion i made. As superficial as it might seem to many, the fashion industry generates milions, doesn't get into crisis and employes thousands and thousands of people, mainly from undeveloped countries that REALLY need our help and whose people need jobs (even poorly paid - that is another subject). The way to beat crisis is by buying. The ones who have purchaising power have to purchase, to make the markets worl (I'm sorry, but comunism doesn't work, as beautiful as it may seem. It is NECESSARY to have people with more purchaising power than others. Otherwise, there would be stocks that wouldn't drain. If everyone is a multimilionaire, who will want a TV over a plasma? And who'll want to work on fabrics?).

 

I've decided who to be. Yes, I want to be able to have my Louis Vuitton and my 2.55 by Chanel one day. Yes, I'll try hard as hell (sorry) to be able to purchase them with my work. No, I want cry all over for people to give me them. One thing is for sure. From the moment I have that kind of purchasing power, in equal amout I'll help the ones who need me. If I can afford a Chanel, I can afford to help the worker that has made it for me.

 

And now, dear readers, I leave you with my dream jacket, which I obviously won't get in a near future. But, as I said, I like dreaming... And I'm ambicious :)

 

 

 

Obrigada Alexander McQueen

Thank you, Alexander McQueen

 

publicado por allureurbano às 20:14
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2 comentários:
De R.L. a 29 de Outubro de 2011 às 14:51
A questão que levantaste é muito pertinente, mas muito complicada de se discutir. Quando se fala na perversão que o sector da moda pode representar, não se fala em comunismo, mas na diferença de vidas de pessoas que trabalham ao longo de todo um processo. Quem trabalha na manufactura de roupa (umas vezes cara, outras não), pela qual pagamos e que vestimos, trabalha muitas vezes em condições precárias, a que se pode chamar escravatura do século XXI. A questão que se pode colocar e as hipóteses que há são muitas. Porque não boicotar pelo menos as grandes marcas (por terem mais dinheiro e maior visibilidade) no sentido de exigir que os seus trabalhadores sejam bem tratados e tenham condições laborais que respeitem a sua condição humana? A moda não tem também responsabilidade social?

O que cada um faz com o dinheiro que tem é problema seu. Se pode ser escandaloso gastar milhares num acessório ou peça de roupa em vez de ajudar quem precisa, é uma discussão subjectiva e que parte da consciência de cada um. É uma questão de sorte nascer no hemisfério norte. É uma questão de sorte (por vezes) nascer ou não no seio de famílias com mais possibilidades.

Sabes Catarina, às vezes não se trata de trabalhar mais ou menos na vida para se merecer isto ou aquilo. Há pessoas que trabalham a vida toda, arduamente e no entanto o seu salário é muito baixo, e não é por falta de esforço. Mas são circunstâncias da vida. Nem toda a gente tem as mesmas oportunidades. Nem toda a gente tem a opção de escolher estudar e investir na sua formação, porque ou compra um livro, paga uma propina ou tem um prato de sopa na mesa e paga os medicamentos. As oportunidades até podem ser iguais para todos, mas nem todos conseguem chegar até elas. Há quem não trabalhe nunca na vida e tenha de mão beijada aquilo que pessoas que trabalham a vida inteira nunca poderão pagar.

Mas fico feliz que penses nestas coisas :)

Raquel
De allureurbano a 29 de Outubro de 2011 às 16:21
Claro que se pode trabalhar uma vida inteira e não se conseguir tudo. Por isso é que disse, logo ao início, que esperava poder vir a ter. Claro que contemplo também a opcção contrária :)

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